Artes

A arquitetura sustentável e local de Francis Kéré

Francis Kéré / Ilustração de Marta Nunes – CCA (@martanunesilustra)  Diébedo Francis Keré. Nascido a 10 de abril de 1965, no Burkina Faso. Foi ele o primeiro vencedor do Pritzker, o mais reputado prémio de arquitetura do planeta. Foi um prémio que, ao contrário de tantos outros, que o arrecadariam pelo trabalho desenvolvido um pouco por tudo o mundo, foi conquistado, maioritariamente, pelo trabalho desenvolvido na vila onde nasceu, Gando. Não obstante, passou a viver em Berlim, cidade na qual estabeleceu a sua instauração e através da qual se ligou ao mundo, dando aulas, entre outras instituições, em Harvard ou em Yale. Deste modo, singrou, de um país aparentemente remoto, para um olhar cada vez mais vasto e recetivo a diferentes fazeres de diferentes lugares. Na sua comunidade sítio, Kéré seria o primeiro jovem a frequentar a escola, já que o gerente da sua pequena vila necessitava de alguém que conseguisse ler e transcrever as cartas que recebia. Assim, sairia desta para viver com o tio, que vivia na cidade da sua escola. Depois de frequentar a escola, receberia uma bolsa para estudar na Alemanha, numa temporada em que já havia subjugado a arte da carpintaria. Ficaria fã do país, já que neste se inscreveria na Universidade Técnica de Berlim, licenciando-se no ano de 2004, com quase 40 anos. Ainda hoje cá leciona e colabora, contribuindo com a sua experiência para ensinar técnicas e metodologias de fazer arquitetura de um modo sustentável e ecológico. Foram temas que levou para outras universidades, uma vez que a Técnica de Munique ou a da Bauhaus, em Weimar; para além de exposições que foi apresentando, de Frankfurt a Novidade Iorque, de Londres a Coachella, em conjunto com palestras que concedeu. As suas raízes, porém, nunca seriam esquecidas, já que assumiu, uma vez que missão de curso, contribuir para o bem-estar da sua família e da sua comunidade sítio, dando, de igual modo, incitação para os seus mais jovens. É nesse enquadramento que também nasce a sua Kéré Foundation, na qual procurou fazer uma mistura única do conhecimento técnico e teórico adquirido na Europa com os métodos tradicionais do seu país, Burkina Faso.
Neste sentido, Kéré começou a desenvolver um trabalho único na sua pequena povoado, no sudeste da capital do país, Ougadougou. Enquadrando-se num país no qual é escasso o entrada a chuva e a eletricidade, o nível de literacia é bastante ordinário e o desenvolvimento do país continua muito aquém – dependente de uma economia de subsistência com grandes turbulências climáticas – Kéré deparou-se com uma ensejo hercúlea. No entanto, arregaçou as mangas e procurou envolver os membros da comunidade neste projeto urbano, com técnicas ecológicas e inovadoras, mas também com os seus preceitos locais e com os materiais existentes em seu volta. Foi, precisamente, por isto que, em 2009, viria a recepcionar o Global Award for Sustainable Architecture, que premeia essa inovação com pendor sustentável. Porém, o primeiro prédio que lá concebeu foi erigido em 2001, sendo oriente uma escola primária. Keré procurou desenvolvê-la por intermédio de recursos disponíveis localmente, uma vez que tijolos de barro, ao invés do típico betão, embora oriente, para além de dispendioso, tornava os edifícios bastante quentes no seu interno, prejudicando o bem-estar de quem os ocupa. Apesar do ceticismo dos locais, a emprego de um teto de zinco, que protegia as paredes da chuva e que facilitava a circulação do ar para manter a escola arejada, surpreendeu-os e tornou-se numa referência futura para as construções arquitetónicas do lugar. Kéré explicaria aos locais através de esboços na areia, de forma a envolvê-los no processo de construção e de preservação. Esta obra valeu-lhe o prémio Aga Khan em 2004, num prémio que, de facto, pertence a todos os membros de Gando, já que estes, depois receber formação quanto às técnicas de construção – que se tornaram referências futuras no continente africano -, contribuíram diretamente para esta realização. Desde os homens, que fizeram as paredes, até às mulheres, que preparavam o solo. Esta iniciativa fez com que surgissem oportunidades de trabalho presentes e futuras para as suas gentes. Uma vez que a escola foi desenhada para amparar somente 120 alunos, houve a premência de, em 2007, alargá-la, de forma a receber 300. Assim, construíram-se quatro salas de lição, uma cantina, uma livraria e um campo de futebol, conseguindo albergar 700 estudantes. Todas as manhãs, as próprias crianças levaram, durante um ano, uma pedra para o lugar dessa construção, mostrando uma vez que as suas próprias ações poderiam contribuir para um projeto comunitário uma vez que oriente. A vigor solar e a vigor termal unem-se nessa proteção do teto, que se torna abobadado, sem a premência de tantos materiais metálicos no seu suporte. Estas temperaturas arrefecidas contribuíram, desta feita, para que as condições de aprendizagem dos petizes melhorassem substancialmente. De seguida, compôs-se a livraria, somente finalizada em 2018, símbolo de um combate contra a iliteracia do seu povo, que rondava os 75%. De forma a permitir que os alunos pudessem conviver de perto com os livros, para além de abrirem as portas aos graúdos, Kéré desenhou um espaço onde reinaria a calma e a amplitude, aplicando os eucaliptos no seu recheio, de forma a evitar a sombra e de secar o solo. De igual modo, foram usados potes de barros tradicionais, divididos a meio e colocados no teto, de forma a viabilizar a ingressão de luz e a circulação do ar.
Escola Primária de Gando. Retrato de Erik-Jan Ouwerkerk.
Também as próprias residências para os docentes foram consideradas neste projeto (ainda em 2003), já que muitos professores receavam deslocar-se das cidades para a zona rústico para desempenhar a sua profissão. Isto porque as suas casas seriam, uma vez que até portanto, de parca acessibilidade e sustentada por poucos mantimentos. De forma a não descurar a qualidade do ensino prestado, as casas foram desenhadas com uma perspetiva, uma vez que sempre, sustentável, aliando, também, o conforto à viabilidade financeira de cada um. Moldável, já que pode ser um ou plural (os professores uma vez que ou sem as suas famílias), a sua construção foi, de novo, em muito, movida pelos residentes daquela terreno. As já típicas paredes de barro, aliadas a tetos feitos de adobe (tijolos de terreno), permitiam, uma vez que referido, uma amenização e regulação da temperatura do interno. O epíteto que, por lá, se tornou famoso seria “frigoríficos maravilhosos”, por essas mesmas condições tão agradáveis. Para lá da componente letiva, Kéré quis produzir um verídico oásis para os residentes dessa povoado. Para isso, decidiu plantar mangueiras – árvores de mangas -, de forma a combater a carestia e a sustento precária dos seus residentes. Essas mangas conseguiriam dar resposta às necessidades vitamínicas destes e as suas árvores de conceder muitos espaços de sombra, combatendo as temperaturas bastante altas que se fazem sentir amiúde. De igual modo, espaços para as crianças usufruírem do seu lazer, mas também com a responsabilidade de cuidar das árvores, assumindo a missão de plantar e de zelar por estas e de transmiti-la aos seus descendentes. São árvores que contribuem, assim, para olhar pela fertilidade do solo, pela salvaguarda da biodiversidade e pelo combate à desertificação. A sua plantação é feita através do preenchimento do lugar das suas raízes com ossadas e músculos, de forma a que as formigas possam tragar as térmitas que são atraídas e que erodem o solo. Para o seu desenvolvimento, potes de barros robustos para prevenir a evaporação da chuva e para prometer um provisão perceptível de chuva. Leste trabalho não se restringiu à plantação de árvores uma vez que forma de organização do território, mas também uma vez que premência de, sobre isto e outras práticas agrícolas, educar e formar. A grande subordinação dessa lavradio de subsistência levou Kéré a destinar uma parcela da escola para fazer um poço de chuva, que permitisse, para além de fornecê-la para o consumo doméstico, usá-la para cuidar das vegetação por intermédio de técnicas sustentáveis, tornando a sua própria sustento mais rica e regrada. No ano de 2010, com o desenvolvimento dos pupilos de Gando, Kéré pôde pensar na construção de uma escola secundária munida de várias componentes, desde as salas de lição, uma livraria, um prédio para instalação dos serviços administrativos e diversos campos desportivos. Inspirando-se na disposição típica das casas rurais no Burkina Faso, as salas de lição possem uma disposição circunvalar, protegendo-se dos ventos e das areias e formando um terraço protegido. De igual modo, ensejo a poente, permite a ingressão de uma brisa fresca nesse multíplice e, desta feita, confirmar a ventilação oriundo, complementada pela plantação de várias árvores e pelo uso de canos perfurados debaixo do solo, por onde o vento circula até ao interno. O teto ondulado permite que o ar possa circunvalar e crescer, permitindo que as brisas possam entrar por via dos canos já mencionados. A sua manutenção torna-se, assim, simples e pouco dispendiosa. A madeira dos eucaliptos volta a ter uso, assim uma vez que as mangueiras, já que garantem as tão procuradas sombras e exigem menos do solo. Para a construção, a mistura de barro e de cimento permitiu agilizar oriente processo, replicando outros exemplos já apresentados e estimulando o uso de métodos sustentáveis.
Atelier Gando. Retrato de Daniel Schwartz 
Por término, nesta povoado de Gando, pensou-se, em 2013, num atelier vocacionado uma vez que meio comunitário e de conceção, planeamento e realização de projetos arquitetónicos. Uma vez que desejo, a utilização de paredes feitas de barro com perfurações na sua constituição, elevadas numa fundura de sete metros. Kéré convidou os estudantes da Accademia di Architettura di Mendrisio, da Suíça – instituição com a qual o arquiteto também colabora – para se juntarem nesta empreitada, sendo movidos pela premissa do “aprender enquanto se faz”. Leste pendor experimental e de convívio entre investigadores, arquitetos e trabalhadores fomenta o espírito que Kéré procura cultivar: o da união dos saberes locais, mais rudimentares, com os teóricos e técnicos, muitos deles a precisar de terreno. Para lá de Gando, o arquiteto desenvolveu mais obra, embora grande segmento dela concentrada no seu continente africano. Ainda no Burkina Faso, Kéré materializou uma escola secundária em Dano, no ano de 2007, neste que é um povoado situado no sudoeste do país. De forma a combater, de novo, o problemas do sobreaquecimento, recorreu à laterita, pedra nativa desta região, para poder esfriar o prédio, para além da orientação este-oeste, que ajuda a mitigar a radiação solar direta para as paredes, para além do proeminente teto. Constituído por três salas de lição, uma sala de informática, um escritório e um anfiteatro, o arquiteto colocou aberturas nos seus tetos de forma a que o ar pudesse circunvalar e que o calor pudesse ser filtrado através desses orifícios. Com isto, evitou a premência de instalar ar condicionado e, deste modo, usar recursos elétricos. De novo, a mão-de-obra adveio dos anteriores projetos de Kéré, nomeadamente da povoado de Gando, formando uma equipa sítio, capaz de resolver eventuais problemas de manutenção e de tornar a obra onerosa. Ainda no Burkina Faso, concebeu uma vila da ópera, um espaço cultural e músico, de pluralidade cultural e de convívio interfamiliar. Dessa forma, e depois das cheias de agosto de 2009 terem levado muitos a se tornarem sem-abrigos, para além do terreno pensado para amparar a vivenda ser “varrido”, Kéré fez segmento da equipa que idealizou uma forma de reconstrução desses lares perdidos e o reconverteu num meio de aúde e de bem-estar social. Assim, num terreno constituído por 12 hectares, situado em Laongo, dispôs um grande recinto com um teatro, um meio médico, várias residências, uma escola, um grande poço e vários painéis solares. Leste espaço tornou-se altamente modulável, já que o suporte desta construção foi feito de forma a ser rotativo e variável, dependente daquilo que acolhem e a que fins se dedicam. Protegido das condições atmosféricas por um revestimento de 15 metros, o projeto foi encabeçado pelas pessoas locais, responsáveis pelo empregar dos materiais locais habituais (onde se incluem a madeira de goma e a loma) no escorço destes módulos. Porém, o recurso ao betão não foi dispensado, em próprio nas fundações, nas colunas, nas vigas de argola e nos demais feixes, compensado pela dispensa de ar condicionado, dada a fundura das paredes e dos tetos. A setentrião, no Mali, foi ele o responsável, em 2010, por edificar o Núcleo para a Arquitetura da Terreno, na cidade de Mopti. Um espaço multifuncional, tornou-se mais do que um mero lugar expositivo, mas com funções que respondem às necessidades de lazer das comunidades locais. Recorrendo a técnicas de construção ancestrais, foi concebido e desenhado de forma simples, em simetria com a mesquita existente nas suas imediações. Formado por três prédios, estes ligam-se através de duas superfícies superiores, uma vez que sempre, compostas pelo barro vermelho, que contrastam com os típicos moldes da construção naquela zona. As paredes e as abóbadas foram feitas por blocos de terreno comprimidos, qualquer destes pendentes no ar, de forma a atenuar as temperaturas no interno e a conceder sombra aos espaços exteriores. De novo, as tais aberturas nas paredes e nas abóbadas, de forma a não ser necessário recorrer ao ar condicionado, mas também a não exigir a presença de madeira nos tetos, não sobrecarregando a já grande deflorestação. Na celebração dos 50 anos da independência do Mali, ainda em 2010, o arquiteto colaborou na renovação do Parque Vernáculo da capital do país, Bamako. Cá, concebeu um restaurante no topo de uma formação rochosa e articulada em diferentes níveis de altitude, usufruindo de vistas privilegiadas debruçadas sobre o parque. O meio desportivo recicla algumas das premissas do restaurante, sendo constituído por três pavilhões dispostos elipticamente, de forma a gerar o sumo de sombra provável para as áreas de lazer. Todos os edifícios constituintes deste espaço foram erigidos com pedras locais, de forma a salvaguardar a identidade sítio e a limitar despesas. As paredes de pedra no exterior permitem, de igual modo, a geração de interiores isolados e com temperaturas reguladas; com os tetos a gerar sombras e a contribuir para condições climatéricas mais amenas. Pontualmente, recorre-se ao ar condicionado, de modo a que o espaço entre a parede e o teto seja fechado. A sul, no Gana, na cidade fronteiriça de Léo, o projeto que liderou foi o de edificar um meio médico que pudesse servir as comunidades rurais em seu volta, sendo oriente desobstruído em 2014. A utilização de módulos pré-planificados ajudou à premência de manter os custos baixos e de constatar ao financiamento restringido existente. Com paredes feitas de terreno e tetos feitos de zinco, os funcionais módulos permitem conceder maior sombra aquando da sua sobreposição, originando o surgimento de espaços interiores, que funcionam uma vez que vias de circulação e de descontração.
Núcleo Médico de Léo. KÉRÉ ARCHITECTURE
Muito distante de África, na China, o arquiteto fez segmento da idealização – não passou, por enquanto, do papel – de um projeto de reparação urbana, protagonizado pelo arquiteto Wang Shu, numa zona portuária, em Zhou Shan. Cá, desenhou uma galeria expositiva, um meio de informação, um conjunto de ateliês e um jardim vocacionado para a originalidade cultural. Trata-se de um espaço de transição entre o envolvente manipulado pelo ser humano e o envolvente oriundo, desenhado pelas montanhas. Amplificando o espaço à disposição, Kéré usou uma antiga fábrica de gelo para transformar o seu reservatório de chuva num jardim com vegetação na sua trajectória, acabando por potenciar a qualidade do ar e as vistas à disposição de quem usufrui daquele espaço. De igual modo, outros dois edifícios aproximam-se da serra, nesse saudável diálogo arquitetura-natureza, usados para amparar a galeria expositiva e os mencionados ateliês. Harmonizando todos os espaços numa só formato, estes são envolvidos pelo tal jardim da originalidade, ao ar livre, construídos por materiais simples e básicos, embora sustentados pelo betão, de forma a resistir à humidade. A reutilização dos espaços envidraçados para toda a envolvência dos edifícios, desde o solo até ao teto, permite amplificar o relâmpago de visão dos espaços e potenciar a exposição solar. O bambu e a forma irregular dos seus ramos também é usado uma vez que forma de prometer algumas sombras exteriores, mas também painéis de madeira, para prometer a harmonização entre a transparência e a proteção da exposição solar. As camadas das fachadas permitem a movimento do ar, de forma a prevenir o sobreaquecimento. Em Genebra, em 2012, no seu Museu Internacional da Cruz Vermelha, Kéré compôs um projeto devotado à reconstrução dos elos familiares. Neste, idealizou uma passagem sinistra à ingressão, com paredes feitas de betão de cânhamo, para intensificar as emoções sufocantes e aterrorizantes, advindas de tragédias e de conflitos bélicos. Aliás, são estes que são relembrados em conjugação com a natureza, com uma grande torre a simbolizar o abrigo tradicional de uma família. Não obstante, também as ideias de transparência e de esperança são invocadas, oferecido o potencial de cada um na ação humanitária. O uso de materiais simples e elementares convida a essa associação umbilical entre a família, as suas raízes e a natureza, usando-a uma vez que mote de procurar o que desapareceu. Cinco anos depois, pensaria num projeto residencial, em próprio devotado ao alojamento estudantil, com a rotineira conjugação entre os interiores e os exteriores e com o recurso a materiais transparentes e naturais, procurando, com um layout em asas, atender à proteção da poluição visual e sonora citadina. Mais recentemente, também são de salutar valia o liceu Schorge (2016), situado em Koudougou, constituído por nove módulos dispostos a impedir o vento e a poeira de penetrarem no interno, cuja barreira protetora é munida por lateritas, que gera uma grande volume termal e que favorece a sucção de luz de dia e a sua radiação pela noite. O recurso aos eucaliptos uma vez que frontispício secundária permite produzir um espaço intermédio e potenciar a emergência da já apontada luz. Em 2017, realizou o Serpentine Pavillon, na cidade de Londres, inspirando-se na mais majestosa árvore de Gando, com um grande revestimento em metal, capaz de fazer entrar a radiação solar, evitando, todavia, a chuva, embora a sua morfologia se apresente uma vez que um coletor de chuva, esse muito tão valioso e fundamental. Elementos em madeira complementam esta peça, permitindo produzir efeitos dinâmicos com o enxergar das nuvens e da luz solar e, de igual modo, ser, ela própria, uma manadeira de luz. Um tanto similar ao projeto do Parlamento Vernáculo do Benim, em que é também sustentado na teoria de uma árvore, no caso, de um palaver, simbolizando o reverência pelas forças majestosas da Natureza. Neste caso, assinale-se o escorço de um grande terraço superior, vizinho aos demais troncos que revestem e que arejam o projeto. Em 2018, em Moçambique, erigiu uma escola secundária, criando um espaço harmonioso no meio de uma veras urbana. As paredes da escola, transparentes, evocam as escamas dos peixes e permitem furar portas à ensino e à formação. Nesse mesmo ano, em Léo, desenvolveu um conjunto de residências para os médicos do meio que lá já tinha projetado. Numa dinâmica de partilha de conhecimento e de competências, o projeto é constituído por cinco apartamentos (com quarto, jardim e terraço exterior particulares) que comungam do mesmo recinto, facilitado pelo sistema modular sustentado pelas paredes de betão – melhorando a privacidade e a segurança, formando uma espécie de santuário – e de blocos de terreno comprimidos. Esta dupla classe reforça a integridade estrutural e facilita o arejamento dos interiores, para além da própria ingressão de luz solar. Complementado é pelo recurso ao metal no teto, que permite, de igual modo, atender ao sobreaquecimento. O uso de gesso no revestimento permite, de igual modo, proteger o exterior de danos climáticos; para além da plantação de espécies aquíferas, que limitam a evaporação e a presença de insetos portadores de vírus. No ano de 2019, para Coachella, no estado norte-americano da Califórnia, instalou a vivenda da celebração, inspirando-se na baobá, uma árvore nativa do seu continente. Assim, e enquanto essas doze torres de baobá se vão expandindo, desenvolvem espaço para a luminosidade oriundo entrar e para a ventilação surfar pelo interno. A evocação do magia da luz solar é capacitada, de igual modo, pela disposição de três torres centrais envolvidas por outras seis mais pequenas, iluminando o recinto à volta. Com isto, e através de materiais disponíveis naquela zona, uma vez que os típicos painéis de madeira, cá multicoloridos (azul, rosa, laranja e vermelho), potenciando a ingressão do Sol para projetar os matizes da traço montanhosa a si contígua, para além das próprias caraterísticas naturais particulares do amanhecer e do anoitecer. Não obstante, é o metal que prevalece uma vez que sustentáculo deste trabalho. Ainda neste ano, no estado do Montana, compôs o chamado Xylem, um pavilhão de convívio no Tippet Rise Art Centre. De novo, o objetivo do arquiteto é recordar as espécies arborícolas da sua região, nomeadamente aquilo que a estrutura internamente, criando um espaço harmonioso e de contemplação. Kéré usa os álamos locais e recorre à madeira para produzir essa ambiência, mormente a de pinheiros, de forma a evitar insetos parasitas (cá, usa um processo de poda oriundo). Esses componentes de madeira são agrupados circularmente numa estrutura sextavado modular de aço, sustentada em sete grandes colunas. O escorço da superfície do topo torna-se sinuosa, paralela às colinas que circundam oriente trabalho. Com proporções massivas, Kéré homenageia a tugana, um espaço comunitário sagrado para os seus conterrâneos do Burkina Faso e também usa a palha de forma a proteger do Sol, ao mesmo tempo que viabiliza a ventilação. O binómio luz-sombra é jogado, assim, através desta circularidade do espaço, que possibilita diferentes perspetivas por segmento de quem usufrui do espaço. Em 2020, emergiu o Instituto de Tecnologia Burkina, na cidade de Koudougou. Tratou-se de uma expansão do liceu Schorge, no qual se desenhou um sistema de módulos repetidos, com uma disposição ortogonal que permitia traçar um recinto retangular, passível de ser incrementado de congraçamento com as necessidades funcionais. O ar circula através dos espaços entre o escalonamento dos módulos, formando um espaço ventilado para a descontração. Com paredes compostas por barro sítio fundido in loco, a construção tornou-se célere por esta razão, possibilitando uma melhor gestão futura dos módulos e atender às necessidades dos interiores, em muito preenchidas por tecnologias e os seus hardwares. Os perfis dos tetos são esticados e projetados para cima, orientando a expulsão do ar aquecido, recorrendo, de igual modo, ao eucalipto e a tons transparentes para iluminar os interiores e complementar as paredes. Para evitar as habituais cheias, foi construído um tanque subterrâneo que também serviu para irrigar as plantações de mangas nesse campus.
Instituto de Tecnologia de Burkina. Retrato de Francis Kéré.
Campus esse que foi quase replicado no Quénia, no Startup Lions Campus, vocacionado para as tecnologias de informação e informação, de forma a combater o grande desemprego jovem da região. Tornou-se, oriente, um projeto de formação e de entrada a oportunidades nacionais e internacionais, coroado com um espaço que potenciou a venustidade oriundo da zona do lago Turkana. Esse envolvente oriundo tornou-se complementado com tetos repletos de vegetação, que reforçam o envolvente aprazível e harmonioso que se procura obter. A inspiração do prédio advém das torres feitas pelas colónias de térmitas da zona, torres que foram replicadas em subida estatura para gerar ventilação oriundo, expelindo o ar quente e recebendo o ar fresco através de entradas baixas. Permite, de igual forma, proteger o equipamento tecnológico das poeiras do ar e, a partir da pedra extraída diretamente de pedreiras e de acabamentos de gesso, todos estes argumentos fortes para confirmar a sustentabilidade ecológica do espaço, assim uma vez que o ordinário dispêndio na sua elaboração. Para isso, uma vez que habitual, Kéré contou com os preciosos saberes e com a tomada de decisão das comunidades locais, conhecendo muito os materiais e as redondezas da obra a erigir. Francis Kéré tornou-se o primeiro arquiteto africano a recepcionar um Pritzker para a sua conta pessoal. Para isso, fez-se sustentar pelos sabores técnicos mais vanguardistas, mas, em próprio, pelos saberes locais, fruto das comunidades locais com quem aprendeu e desenvolveu muitas das suas paixões. Uma vez que prova de gratidão, compôs um corpus arquitetónico de referência, que continua a ser ensinado e transmitido para os seus conterrâneos e demais interessados. Para além do Pritzker, já havia conquistado outros prémios de proa, uma vez que o Schelling Architecture Award (2014), o Prince Claus Award (2017) e a Thomas Jefferson Medal in Architecture (2021). Deste modo, Keré é um dos mais relevantes arquitetos da atualidade, com uma presença poderoso na liceu, mas também no mundo onde se edificam e se materializam os sonhos. Sonhos esses que já foram seus e que, por força e vida da sua obra, se tornam de outros tantos.
Source: comunidadeculturaearte

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