Reviews

Polêmico, atormentador e de muito mau gosto [Review]


Martha is Dead tornou-se um título polêmico antes mesmo de seu lançamento. Com o público sendo informado a reverência de uma repreensão por segmento da Sony, muita discussão foi iniciada na internet, o que maquinalmente aumenta a popularidade do jogo entre o público.

Uma vez que um título de terror que não se encaixa no padrão triple A, a verdade é que Martha is Dead chamou a atenção dos fãs mais atentos do gênero, prometendo entregar uma jornada com muita tensão, violência e momentos atormentadores. Uma jornada atormentadora foi entregue de trajo, porém deslizes comprometem uma experiência marcada pela evidente tentativa de germinar, sem preocupar-se em perder a mão e cometer exageros dispensáveis ao meu ver.

Devo manifestar cá que os avisos antes do início do jogo não são excesso. Martha is Dead é um título que aborda assuntos polêmicos de uma maneira muito agressiva. Para pessoas mais sensíveis, principalmente quem esteja passando por problemas (principalmente psicológicos), o jogo pode impactar de maneira negativa, não sendo recomendado.

Também é importante manifestar que o jogo não foi completamente censurado no PlayStation. Isso significa que há sim repreensão, mas ela é opcional. Inclusive optei por jogar com tudo o que o título tem para mostrar e a cena polêmica – que causou a repreensão – foi exibida por completo.

Antes de continuarmos, gostaria de manifestar cá que sou enamorado por horror, sendo um dos meus gêneros favoritos. Cenas de violência pura, horror psicológico e outros elementos são comuns para mim, porém eu os aceito quando muito explicados e muito utilizados. Devo manifestar também que estava empolgado para Martha is Dead, inclusive considerando-o um dos títulos de terror mais promissores de 2022.

Uma jornada cansativa (Oficina da Net/Gregory Felipe)

Trama atormentadora

A trama de Martha is Dead é atormentadora. Em momentos variados, mesmo sendo grande fã de horror, senti grande desconforto ao jogar o título. O grande ponto é que cá esse desconforto é causado pela abordagem de assuntos muito sensíveis, com cenas completamente violentas.

Cá o pânico não é causado, na maior segmento do tempo, por ser perseguido por um vilão uma vez que em Resident Evil, por exemplo, muito menos por qualquer outro elemento que seja mais característico em jogos de terror. Cá a sensação de desconforto é transmitida por uma trama muito pessoal, repleta de reviravoltas e situações que não são o que de trajo parecem ser, com o título apresentando um enredo de trouxa dramática muito poderoso.

A trama tem momentos interessantes de horror (Oficina da Net/Gregory Felipe)
A trama tem momentos interessantes de horror (Oficina da Net/Gregory Felipe)

Em variados momentos o jogo expõe onde um ser humano pode chegar e o que nossa mente é capaz de fazer, uma vez que quais armadilhas e pesadelos pode produzir. Porém, ao tentar germinar, a trama do jogo também se perde em entregar momentos que eu considero de extremo mal paladar, ainda mais quando não percebemos que seja oferecido tempo suficiente para digerir certas etapas. Na procura de passar mensagens importantes, o título parece exagerar muito mais do que devia nas cenas e acontecimentos absurdamente bizarros, também parecendo se vangloriar de temas e situações de maneira um tanto sádica.

O jogo também se aproveita de cenas extremamente violentas, que podem ser consideradas de mau paladar, sem parecer dar explicação plausível para muitas delas. O gore e a violência em muitos momentos parecem exclusivamente jogados na tela, sem muita preparação ou razão, com o único sentido de impactar. Isso pesa negativamente.

O horror é monótono

Devo manifestar também que o horror de Martha is Dead é extremamente parado. Com o jogo podendo muito muito ser considerado um walking simulator, pelo menos em vários momentos, boa segmento do jogo se resume a caminhar por um pequeno planta e realizar objetivos que não exigem muito de você.

Com alguns desses objetivos sendo secundários, o título tenta oferecer certa liberdade para realizar mais atividades, porém senti que tais objetivos são completamente dispensáveis e contribuem muito pouco para o jogo. Nessa pegada de walking simulator, em sua primeira segmento, podemos manifestar, Martha is Dead é competente ao entregar um terror apavorante, que coloca o jogador para explorar áreas capazes de despertar o pânico. Porém, não muito depois, o título me pareceu deixar totalmente tal proposta de lado.

A partir de determinado momento, a exploração assustadora e os momentos intimidadores dão espaço exclusivamente para situações em que o desconforto é causado pela trama, com dúvidas da protagonista e os já citados exageros. Ou seja, se você espera um título de terror empolgante, com sequências para fugir de inimigos, encarar perigos ou qualquer elemento parecido, Martha is Dead não é uma opção. A proposta universal se torna outra.

A burocracia do gameplay foi longe demais

Com um gameplay bastante parado, Martha is Dead leva a “burocracia” para um nível muito insatisfatório. Não estou exagerando ao declarar que, em determinado momento do jogo, é necessário se falar por código morse através de um telégrafo. Agora, entenda que o jogo até tenta ensinar o jogador sobre uma vez que fazer isso, porém de maneira muito rasa, o que torna a tarefa um tanto complicada. Confesso que tive de recorrer ao google para ser capaz de progredir, o que me pareceu ser completamente desnecessário e absurdamente desanimador.

Muitos momentos são lentos e muito burocráticos (Oficina da Net/Gregory Felipe)
Muitos momentos são lentos e muito burocráticos (Oficina da Net/Gregory Felipe)

Aliás, existem também outros momentos de muita “burocracia”, uma vez que partes em que você precisa revelar fotos, por exemplo. Na minha opinião, os desenvolvedores também perderam a mão nesse sentido, oferecendo uma jornada com muitos momentos e mecânicas que desencorajam o jogador, tornando o ritmo extremamente lento e maçante.

Dualsense é acerto

Entre tantos problemas, o uso do dualsense é um acerto em Martha is Dead. Devo manifestar que fiquei realmente impressionado com a forma uma vez que o controle foi aproveitado pelos desenvolvedores, pois está até mesmo supra do uso do Dualsense em diversos jogos maiores, incluindo grandes exclusivos de PlayStation.

Seja nas sensações ou nos sons, o controle é extremamente importante para transmitir uma boa mergulho no título. Em suas mãos, você sente diferentes movimentos de maneiras variadas, que acabam acrescentando bastante ao gameplay, o que ajuda a tornar mais interessante um pouco que não possui muitos elementos para aprazer.

Atmosfera tranquilamente bizarra

Outro acerto do jogo é a atmosfera tranquilamente bizarra. Uma vez que o título oferece uma jornada em que os maiores tormentos são apresentados realmente pela trama, a tentativa de oferecer certa tranquilidade ao jogador funciona.

A atmosfera é sinistramente tranquila (Oficina da Net/Gregory Felipe)
A atmosfera é sinistramente tranquila (Oficina da Net/Gregory Felipe)

Seja pela privação de muitos sons, pela sensação muito grande de solidão em diferentes momentos e até mesmo por muitos objetivos que são uma vez que atividades do dia a dia, o título consegue entregar uma jornada bizarramente tranquila, transmitindo sempre a sensação de que um pouco há um pouco de sinistro ali, ainda que de certa maneira tudo pareça estranhamente remansado.

Martha is Dead: O veredito

Martha is Dead é parado e desnecessariamente burocrático. Por muitos momentos se arrasta mais do que deveria e diversas vezes acaba causando a sensação de cansaço no jogador.

Existe também uma urgência muito grande de germinar, o que leva o enredo a abordar temas sensíveis de maneira um tanto estranha, uma vez que se quisesse os vangloriar. No mínimo fica a sensação de que o jogo não soube a maneira certa para abordar certos elementos da trama, os entregando de uma maneira muito crua e pouco tolerável.

Extremamente desconfortante e bastante atormentador, o título é uma jornada impactante, mas infelizmente isso pesa mais para o lado negativo. O jogo é certamente polêmico e pode ser considerado desnecessário por muitos jogadores. A verdade é que Martha is Dead parece ser um jogo de muito mau paladar.

Uma reprodução do dedo do jogo foi cedida gentilmente pela Wired Productions. Estudo feita no PlayStation 5*

Martha is Dead

Prós
  • Tranquilidade sinistra é intimidadora
  • O início tem uma boa atmosfera apavorante
  • Dualsense muito muito utilizado
Contras
  • Extremamente parado
  • Muita burocracia na jogabilidade
  • Se arrasta mais do que deveria em diversos momentos
  • Mecânicas cansativas
  • Erra ao querer germinar demais e não fazer de maneira interessante
  • Violência e gore jogados na tela, sem urgência, exclusivamente para impactar
Source: oficinadanet.com.br

Artigos relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo