A escravidão esteve presente no Brasil desde o século 16, em todas as capitanias. Primeiro com índios, depois com negros africanos.

Ao longo do tempo, muitos escravos conseguiram fugir do cativeiro e estabeleceram-se em grupos, em lugares afastados, chamados de quilombos. Seus habitantes eram os quilombolas.

O nome quilombo vem da África, era atribuído aos acampamentos fortificados de povos que invadiram o Congo e Angola, no século 16.

Os quilombos brasileiros eram comunidades, normalmente bem organizadas socialmente, que sobreviviam, com certa independência, da caça, da pesca e da agricultura. Geralmente tinham menos de 100 pessoas, mas podiam chegar a vários milhares.

Muitos desses quilombos foram encontrados e dizimados, pelos portugueses, espanhóis e holandeses. No século 19, após a Independência do Brasil, os quilombos passaram a ser gradativamente tolerados e muitos negros livres, caboclos e índios passaram também a integrá-los.

No Sul do Brasil, especialmente no Rio Grande do Sul, houve a formação de muitos quilombos, por dois motivos principais: primeiro, era mais afastado dos grandes centros econômicos, como o Rio de Janeiro, Bahia e Pernambuco. Segundo, os voluntários da pátria, muitos escravos alforriados por terem participado da Guerra do Paraguay (1864 a 1870), não voltaram para suas antigas moradias e estabeleceram-se em comunidades, principalmente no Rio Grande do Sul.

Em 1872, foi fundada a Sociedade Floresta Aurora pelos gaúchos negros. Estima-se que, nessa época, a população escrava no Rio Grande do Sul chegava a cerca de 20% da população total.

Em 1888, veio finalmente a abolição da escravatura. Muitos escravos livres uniram-se também em comunidades quilombolas já existentes. Em alguns casos, os antigos senhores cederam parte de suas terras para a formação dessas comunidades.

Com o tempo, as terras de muitas comunidades quilombolas foram invadidas por grandes proprietários ou tomadas por grileiros.

Os negros gaúchos tiveram participação importante na Revolução Farroupilha (1835-1845), como lanceiros. Alguns autores acreditam que eles foram traídos e massacrados na Batalha de Porongos, em 1844.

Segundo a Federação das Comunidades Quilombolas, existem mais de 130 comunidades remanescentes de quilombos no Rio Grande do Sul. Existiram, por exemplo, quilombos em Rincão do Ipané, Rincão dos Fernandes, Palma (Uruguaiana), Quadra da Palma (Encruzilhada do Sul), Chácara das Rosas (Canoas), Linha Fão (Arroio do Tigre), Rincão dos Caixões (Jacuizinho), Limoeiro (Palmares do Sul), Turuçu, São Lourenço do Sul e vários outros.

Essas comunidades são um patrimônio cultural.

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Ruínas da Capela do Rincão do Ipané, em Uruguaiana, local de um antigo quilombo gaúcho. Segundo o professor de História e Ciências Sociais Dagoberto Alvim Clos, existiram três quilombos em Uruguaiana: Rincão dos Fernandes, Palma e Capela do Ipané, formados na segunda metade do século 19. Dagoberto é autor do livro Marcas da Escravidão – A Cerca do Juquiri e os Quilombos de Uruguaiana (capa à esquerda).
Acima, moradores do Quilombo Rincão dos Fernandes (foto Movimento Negro de Uruguaiana).

À direita quilombolas na Quadra da Palma, em Encruzilhada do Sul.